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20.8.03

SÉRGIO VIEIRA DE MELLO

Curvemo-nos respeitosamente perante a sua memória. Que mais podemos fazer nestes tempos de horror, quando as palavras pouco mais são que lágrimas a custo sustidas? Este sim, foi um herói da nossa língua.

19.8.03

CRISTOVÃO DE MOURA
Foi o Aviz - cada vez mais referência incontornável da blogosfera portuguesa - que me fez descobrir este novo e magnífico blogue, que passa a figurar, por direito próprio, nos links aqui à direita. Voltarei a ele, mas não resisto a transcrever desde já um pedaço do que escreve sobre o personagem que lhe serve de nome:
D. Cristovão percebeu claramente que, após Alcácer Kibir e, sobretudo, perante a ameaça das nações marítimas do norte da Europa, a nação portuguesa só tinha destino possível no quadro da União Ibérica e da igualdade entre estados consagrada pelo estatuto de Tomar.
De facto, a história de Portugal como país europeu com influência mundial acabou em 1640.

Sempre defendi isto publicamente, o que já me causou alguns dissabores...

17.8.03

Já passou o dia 15 de Agosto, a data em que, no Minho, há mais festas populares por metro quadrado. Ouviram-se, creio, menos foguetes e não há notícia, até ao momento, de qualquer incêndio de monta. Lentamente, o país vai voltando ao normal. O que me assusta é o esquecimento: qualquer dia já ninguém se lembra dos fogos, a não ser aqueles que os sofreram nos bens e na carne.

Hoje (ontem), Sábado, cumpri um ritual de cada Verão: a feira de Vila Nova de Cerveira, as compras na Casa Porto, em Tuy, um jantar nos Manolos. São estas pequenas coisas, repetidas ano após ano, que nos reconciliam com a vida. Mesmo se la vie est ailleurs...

Agosto entrou na segunda metade. Os dias são mais curtos. À noite já arrefece. Há amigos que partem. É nestes momentos que recordo as longas férias da infância, quando o tempo parava durante três meses.

13.8.03

A LIVRARIA FRANCESA E O "ACONTECE"

Não me apetecia muito, confesso, entrar nas discussões que têm rodeado o encerramento da Livraria Francesa e o fim do programa «Acontece». Mas como são questões da minha "área", sinto que, mesmo em férias, tenho o dever de intervir.
No que diz respeito à Livraria Francesa ambos os "lados" têm pecado pelo exagero. Nem era uma livraria exemplar, cuja morte (se calhar há muito anunciada) merecesse tão obstinadas lágrimas de revolta; nem a cultura francesa é tão insignificante que justifique o desdém dos que erguem as bandeiras anglo-saxónicas como único baluarte do saber constituído.
Pessoalmente, tenho pena que feche - por ser uma livraria, e só por isso. Francesas, inglesas, espanholas, portuguesas, as livrarias são parte insubstituível do nosso tecido cultural - e ficamos certamente mais pobres com o seu desaparecimento.
O caso «Acontece» é mais complicado. Julgo que José Pacheco Pereira e Francisco José Viegas disseram já quase tudo o que havia a dizer. Também eu nutro por Carlos Pinto Coelho uma estima e um respeito que não iria negar agora. Levou ao seu programa muitos autores meus (estrangeiros, sobretudo), criei um prémio literário que teve o nome e o apoio do «Acontece», por isso mesmo participei pessoalmente na tal emissão auto-comemorativa, mas não sinto que lhe deva favores ou que mos deva ele a mim. A nossa relação foi sempre profissional, sem benesses nem complacências.
É evidente que o «Acontece» não era o programa ideal; que roçava muitas vezes a superficialidade; que fugia à polémica e à impertinência (Carlos Pinto Coelho, aliás, já comentou tudo isso numa entrevista à "Pública"). Tinha um estilo - e de um estilo gosta-se, ou não se gosta.
O problema é saber o que vem a seguir: porque nada justifica que se acabe abruptamente com um programa se vier a seguir um programa com fragilidades idênticas. Ou seja, não basta mudar os protagonistas e continuar tudo na mesma.
Não assinei abaixo-assinados nem petições. Também não atiro pedras. Aguardo. Se tudo mudar para melhor terá valido a pena sacrificar o «Acontece» ( todas as coisas têm o seu tempo de vida). Se não mudar, então poderemos concluir que se tratou apenas de um ataque pessoal. O que é grave, moral e politicamente.
Falaremos à frente.

8.8.03

Passaram-se dez dias. Ou dez meses?
O meu sogro morreu. Quando os fogos devastavam o país, ele partiu para um lugar de que não sei o nome. Era um homem bom, e os homens bons merecem um luto digno.
É Verão, está calor, a Carla Bruni embala este fim de tarde.
Perdoem-me que não fale de incêndios nem de vítimas.
Ele amou o mar - e é no mar que mergulho os olhos à procura de paz e de silêncio.

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